Notícias

01/10/2026 08:23

O fenômeno deste ano pode se tornar um dos mais intensos já registrados desde 1950

O fenômeno meteorológico El Niño que está se formando no Oceano Pacífico pode se tornar um dos mais intensos já registrados desde 1950 e provocar mudanças importantes nos padrões de chuva e temperatura em diferentes países da América do Sul. No Brasil, os efeitos já começaram a ser observados e a previsão é de que o fenômeno continue influenciando as condições climáticas pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

De acordo com o boletim mais recente divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), na quarta-feira (30), existe 95% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. O instituto aponta que o episódio pode estar entre os mais intensos desde 1950. As temperaturas das águas do Pacífico Equatorial já apresentavam, no fim de setembro, anomalias superiores a 2°C em áreas centrais e orientais do oceano.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) também vem indicando uma possibilidade elevada de intensidade excepcional. Em agosto, a agência estimava em 69% a probabilidade de o episódio se tornar o mais intenso registrado desde 1950, com possibilidade de as águas do Pacífico atingirem anomalia de 2,5°C ou mais.

Dados divulgados pela NOAA em setembro mostraram que algumas áreas do Pacífico Equatorial chegaram a apresentar anomalias superiores a 3°C. Segundo a agência, havia mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte durante o outono e o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.

Argentina pode enfrentar períodos de chuva intensa

Na América do Sul, os efeitos do El Niño não são iguais em todos os países. A Argentina está entre as áreas que historicamente podem registrar aumento das chuvas durante episódios do fenômeno.

O Serviço Meteorológico Nacional argentino informou, em setembro, que as condições de El Niño permaneciam estabelecidas e que havia 100% de probabilidade de manutenção da fase quente durante o trimestre setembro-outubro-novembro, com intensidade considerada forte ou muito forte.

O governo argentino também vem acompanhando os possíveis efeitos sobre rios, áreas agrícolas e regiões sujeitas a excesso de água. Para a temporada 2026/2027, as projeções indicam possibilidade de precipitações acima do normal em diferentes áreas do país.

Isso não significa que todo o território argentino será atingido da mesma maneira. Os efeitos dependem da região, da evolução do fenômeno e de outros fatores atmosféricos que atuam simultaneamente.


Imagem: Ilustrativa

O que pode acontecer no Brasil

No Brasil, o cenário previsto também apresenta diferenças importantes entre as regiões.

Segundo o INMET, o padrão associado ao El Niño tende a favorecer chuvas acima da média na Região Sul, aumentando o risco de cheias de rios, alagamentos e outros eventos relacionados ao excesso de precipitação. No centro-norte do país, por outro lado, a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode aumentar o risco de seca e incêndios.

O boletim mais recente aponta que o cenário entre outubro e dezembro deve ser marcado por dois extremos: seca e maior risco de fogo no centro-norte e chuva acima da média, com possibilidade de cheias, no Sul. As temperaturas também tendem a permanecer acima da média em grande parte do território brasileiro.

Na Região Norte, alguns estados já apresentam agravamento das condições de seca. O monitoramento oficial aponta problemas relacionados à captação de água e à navegação em determinados municípios, especialmente em áreas onde os níveis dos rios estão baixos.

No Nordeste, o quadro também merece atenção. O boletim do INMET aponta que a região apresenta áreas com seca grave e que a irregularidade das chuvas pode aumentar a partir de outubro. A Bahia está entre os estados que registraram aumento recente de áreas afetadas pela seca.

Como o fenômeno pode afetar a rotina dos brasileiros

A influência do El Niño pode aparecer no cotidiano de diferentes formas. Nas regiões mais secas, períodos prolongados sem chuva podem aumentar a necessidade de cuidados com o consumo de água, favorecer incêndios florestais e afetar atividades agrícolas.

O calor acima da média também pode aumentar o desconforto térmico e elevar a demanda por equipamentos de refrigeração, como ventiladores e aparelhos de ar-condicionado.

Nas áreas sujeitas a chuvas mais intensas, os impactos podem envolver alagamentos, enchentes, interrupções de estradas, problemas no transporte e danos a imóveis e estruturas públicas. O excesso de umidade também pode prejudicar determinadas culturas agrícolas.

O setor de produção de alimentos também pode sentir os efeitos. No centro-norte, a combinação de calor e menor disponibilidade de chuva pode prejudicar culturas como soja e café e afetar a criação de animais. No Sul, o excesso de chuva pode favorecer algumas culturas, mas também aumentar doenças em plantações e dificultar o plantio de soja e arroz.

Até quando o El Niño deve influenciar o Brasil?

As previsões atuais indicam que o fenômeno deverá continuar atuando pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. O período entre o fim de 2026 e o início do próximo ano é considerado especialmente importante porque as projeções apontam para o pico de intensidade entre o fim da primavera e o verão.

Isso não significa que haverá condições extremas todos os dias ou que todas as regiões brasileiras terão os mesmos problemas. O El Niño altera probabilidades climáticas em escala regional, enquanto as condições observadas em cada cidade dependem também de sistemas meteorológicos de curta duração.

Como reduzir os impactos

A preparação antecipada é uma das principais formas de diminuir os danos provocados por eventos extremos. A população deve acompanhar os avisos meteorológicos e hidrológicos emitidos pelos órgãos oficiais, principalmente durante períodos de chuva intensa, calor ou estiagem.

Em áreas sujeitas a enchentes, é importante conhecer os pontos de risco, evitar atravessar áreas alagadas e seguir as orientações da Defesa Civil. Durante temporais, a recomendação é procurar locais seguros e evitar permanecer próximo a árvores, estruturas metálicas e áreas sujeitas a descargas elétricas.

Em períodos de calor intenso, manter a hidratação, reduzir a exposição ao sol nos horários mais quentes e ter atenção especial com crianças e idosos são medidas importantes.

Nas regiões afetadas pela seca, o uso responsável da água também contribui para reduzir os impactos sobre os sistemas de abastecimento.

O El Niño é um fenômeno natural e não é causado pelas mudanças climáticas. No entanto, o aquecimento global pode elevar a temperatura de fundo do planeta e contribuir para que determinados extremos associados ao fenômeno sejam mais intensos. Por isso, o acompanhamento das previsões e a preparação para períodos de chuva, seca e calor são medidas importantes durante a atuação do fenômeno.

 

Da Redação CSFM







RedeRBR
Av. Rio Branco, nº 741- Centro - Canavieiras/BA. CEP - 45.860-000
Tel.: (73) 3284-3905 - A Rádio que você ouve, a rádio que você FAZ!
© 2010 - Rádio Costa Sul FM - Todos os direitos reservados.