Na prática, a economia baiana levou 17 anos para crescer pouco mais do que havia avançado nos quatro anos anteriores
A Bahia passou por uma perda de dinamismo econômico a partir de 2007, período em que o Partido dos Trabalhadores (PT) assumiu o governo estadual com Jaques Wagner. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, depois de crescer acima das médias nacional e nordestina entre 2003 e 2006, o estado passou a avançar em ritmo mais lento e acumulou, entre 2007 e 2023, o menor crescimento entre os estados brasileiros.
Entre 2003 e 2006, período anterior à chegada do PT ao governo estadual, o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia cresceu 20,1%. Já entre 2007 e 2023, período que inclui os governos de Jaques Wagner e Rui Costa e o primeiro ano da gestão de Jerônimo Rodrigues, o crescimento acumulado foi de 24,7%.
Na prática, a economia baiana levou 17 anos para crescer pouco mais do que havia avançado nos quatro anos anteriores. A comparação considera os dados mais recentes disponibilizados pelo IBGE para o PIB dos estados.
No mesmo período, o PIB brasileiro cresceu 35,8%. A expansão nacional foi, portanto, significativamente superior à registrada pela Bahia entre 2007 e 2023.
Entre 2003 e 2006, a economia baiana cresceu a uma média anual de 4,7%, acumulando expansão de 20,1%. O resultado ficou acima do Nordeste, que avançou 17,7%, e do Brasil, com crescimento de 14,8%.
A partir de 2007, primeiro ano do governo Jaques Wagner, a trajetória mudou. Entre 2007 e 2010, a Bahia cresceu 16,6%, enquanto o Nordeste avançou 18,8% e o Brasil, 19,7%.
Entre 2011 e 2014, no segundo mandato de Wagner, a economia baiana cresceu 8,9%. No mesmo intervalo, o Nordeste avançou 13,6% e o Brasil, 9,7%.
A diferença aumentou entre 2015 e 2018, já durante o governo Rui Costa. Em meio à recessão nacional, o PIB da Bahia acumulou retração de 7,3%. No mesmo período, o Brasil recuou 3,8% e o Nordeste, 4,5%.
Durante a pandemia, a economia baiana também registrou queda superior às médias nacional e regional. Em 2020, o PIB estadual recuou 4,4%, contra retrações de 4,1% no Nordeste e 3,3% no Brasil.
Entre 2019 e 2022, período correspondente ao segundo mandato de Rui Costa, a Bahia acumulou crescimento de 3,5%. O resultado ficou abaixo dos 4,8% registrados pelo Nordeste e dos 5,7% do Brasil.
A perda de ritmo também aparece na participação da Bahia na economia nordestina. O estado representava aproximadamente 30,6% do PIB da região entre 2003 e 2006. Entre 2007 e 2023, essa participação caiu para cerca de 28,5%, uma redução superior a dois pontos percentuais.
Apesar de continuar como a maior economia do Nordeste em valores absolutos, a Bahia perdeu participação relativa enquanto outros estados da região cresceram em ritmo mais acelerado.
Entre os fatores apontados na análise estão a menor entrada de grandes investimentos, a concentração das atividades econômicas no setor de serviços e na Região Metropolitana de Salvador e os impactos provocados pelo encerramento da produção da Ford em Camaçari.
A montadora encerrou as atividades na Bahia em 2021, afetando a cadeia automotiva instalada no estado. A implantação de uma fábrica da chinesa BYD em Camaçari passou a representar uma nova frente de investimentos para o setor industrial baiano.
A economia estadual também conta com atividades consolidadas nos setores industrial, agropecuário e de serviços, além de polos como o Complexo Industrial de Camaçari, o Centro Industrial de Aratu e as cadeias de celulose no extremo sul.
Os números do IBGE mostram, porém, que a Bahia perdeu velocidade em relação ao próprio desempenho anterior e aos principais referenciais regional e nacional no período analisado.
Fonte: A tarde









