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11/09/2026 17:10

Mas provas ainda não sustentam a denúncia

Uma das acusações mais graves reveladas nesta semana no caso Banco Master envolve ACM Neto, Ex Prefeito de Salvador e candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil, e o presidente nacional do partido, Antônio Rueda.

Em uma proposta de colaboração premiada, Daniel Vorcaro afirmou que os dois teriam atuado para levar recursos de instituições públicas ao Banco Master em troca de uma comissão de 10%. Segundo o banqueiro, a atuação teria ajudado o banco a captar cerca de R$ 2 bilhões, o que corresponderia a uma comissão de aproximadamente R$ 200 milhões.

Porém, não foi apresentada publicamente prova de que os R$ 200 milhões tenham sido pagos a ACM Neto e Rueda. A própria proposta não informa quanto da suposta comissão teria sido efetivamente repassado.

Segundo a proposta, ACM Neto e Rueda teriam intermediado investimentos no Master envolvendo Rioprevidência, no Rio de Janeiro; Amprev, no Amapá; Amazonprev, no Amazonas; e Cedae.

Vorcaro afirma que a remuneração seria de 10% sobre o valor captado ou de 1% ao ano enquanto os recursos permanecessem aplicados no banco. Ele também diz que o Master mantinha uma espécie de “conta corrente gerencial” para controlar os valores desta suposta comissão.

A versão apresentada pelo banqueiro inclui ainda negócios relacionados ao Credcesta e ao BRB.

Informações de sigilo bancário e dados do Coaf apontaram pagamentos para empresas relacionadas a ACM Neto, mas os valores conhecidos são muito inferiores ao montante citado por Vorcaro.

Planilhas referentes a 2023 a 2025 indicam aproximadamente R$ 5,4 milhões destinados à empresa de consultoria de ACM Neto. Os pagamentos existem, mas não comprovam, por si só, que tenham sido propina ou comissão pela captação de recursos públicos.

ACM Neto reconhece os pagamentos e afirma que os valores correspondem a serviços de consultoria efetivamente prestados, com contratos, documentação fiscal e recolhimento de impostos. Vorcaro, por outro lado, sustenta que os contratos seriam fictícios e usados para justificar contabilmente pagamentos de comissões.

Até o momento, não foi apresentada publicamente prova conclusiva de que os serviços não tenham sido realizados. A proposta de Vorcaro não apresenta, até o momento, detalhes suficientes para demonstrar quando, como e perante qual instituição ACM teria atuado para viabilizar os investimentos.

Também não estão demonstrados nas investigações qual decisão teria sido influenciada, quanto teria entrado no Master em consequência dessa atuação ou qual pagamento corresponderia à suposta comissão.

Para comprovar a acusação, seria necessário estabelecer uma cadeia entre intermediação, decisão do agente público, aplicação no Master, comissão e pagamento. Essa sequência ainda não aparece completa nos documentos conhecidos.

Vorcaro fala em aproximadamente R$ 2 bilhões captados por meio da atuação de ACM Neto e Rueda. Já as quatro instituições citadas na proposta investiram, juntas, cerca de R$ 3,62 bilhões no universo Master: R$ 2,97 bilhões do Rioprevidência, R$ 400 milhões da Amprev, R$ 200 milhões da Cedae e R$ 50 milhões da Amazonprev.

A proposta não esclarece por que apenas R$ 2 bilhões são atribuídos à suposta intermediação dos políticos, a diferença não invalida automaticamente a acusação, mas indica a necessidade de confrontar a versão de Vorcaro com documentos e movimentações financeiras.

Há uma relação documentada com o universo Master

A ausência de comprovação da suposta comissão de R$ 200 milhões não significa que não exista relação financeira entre ACM Neto e empresas ligadas ao caso.

A consultoria de ACM recebeu recursos do Master e da Reag, mediante contratos.

Vorcaro também afirma ter se reunido com ACM Neto, Antonio Rueda e Augusto Lima para tratar de interesses relacionados ao banco.

Além disso, ACM Neto possuía investimento milionário em fundo administrado pela Reag. Em sua declaração patrimonial de 2026, o fundo Seattle 95 aparece entre seus principais bens. ACM afirma que os recursos são próprios e que posteriormente transferiu a administração do fundo para outra instituição.

Esses elementos podem ser objeto de investigação e esclarecimento, mas não comprovam isoladamente o recebimento de vantagem indevida.

Outro ponto importante é a situação jurídica do documento são as propostas de colaboração apresentadas por Daniel Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob argumentos relacionados à falta de informações inéditas e de garantias suficientes para recuperação dos recursos envolvidos nas fraudes.

Documentos revelados nesta semana também mostram questionamentos sobre a consistência dos elementos reunidos. A PGR chegou a se manifestar contra uma busca e apreensão relacionada a Rueda, considerando frágeis os elementos apresentados naquele momento. Segundo as informações divulgadas, o ministro André Mendonça decidiu separar a investigação envolvendo Rueda e ACM Neto.

ACM Neto classifica as afirmações como falsas, fantasiosas e mentirosas. Ele nega ter atuado de forma ilícita em benefício do Master e afirma que os serviços de consultoria foram efetivamente prestados.

Também destaca que a proposta de colaboração de Vorcaro não foi aceita, assinada ou homologada e diz estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Por isso, a acusação é relevante pelo seu conteúdo e deve ser investigada, mas a distância entre o que Vorcaro afirma e o que as provas disponíveis demonstram ainda permanece como o principal ponto do caso.

 Da redação: Vale FM

 







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