Inquérito autorizado por André Mendonça apura suspeitas relacionadas a recursos destinados ao filme Dark Horse; PF também investiga possível uso de emendas parlamentares na produção.
A investigação aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para apurar suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, ganhou novos elementos após uma operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (10).
O inquérito conduzido pelo ministro André Mendonça foi instaurado em julho, a pedido da Polícia Federal e com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A apuração busca esclarecer a origem e a destinação de recursos que teriam sido repassados pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção do filme.
A investigação contra Flávio Bolsonaro apura suspeitas de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, entre outros possíveis delitos. O procedimento tramita sob sigilo.
Paralelamente ao inquérito relatado por Mendonça, o ministro Flávio Dino conduz outra investigação sobre o financiamento de Dark Horse. Nesse caso, o foco está na possível utilização irregular de emendas parlamentares destinadas a entidades relacionadas à produtora do filme.
Informações divulgadas pela Polícia Federal apontam que R$ 750 mil repassados à produtora podem ter origem em recursos públicos provenientes de emendas do deputado federal Mário Frias (PL-SP). Segundo a investigação, os valores teriam passado pelo Instituto Conhecer Brasil antes de chegar à produtora.
A PF também identificou movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo empresas ligadas à produção do longa. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, a produtora Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025, período que coincide com parte das gravações do filme.
O financiamento de Dark Horse está, portanto, no centro de duas investigações distintas no Supremo.
A apuração relatada por André Mendonça concentra-se nos recursos que teriam sido repassados por Daniel Vorcaro para o filme e nas relações financeiras envolvendo Flávio Bolsonaro.
Já o inquérito sob relatoria de Flávio Dino investiga a possível utilização de recursos públicos, especialmente emendas parlamentares, em operações envolvendo entidades relacionadas à produtora responsável pela cinebiografia.
Em agosto, Dino também autorizou a Polícia Federal a acessar informações de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produtora Go Up Entertainment. O objetivo era ampliar o acesso a dados relacionados aos contratos e às movimentações das entidades ligadas à produção.
Flávio Bolsonaro já afirmou que os recursos relacionados ao filme eram privados e negou ter combinado qualquer vantagem indevida com Daniel Vorcaro. A abertura do inquérito, por si só, não significa que o senador tenha sido condenado ou que os crimes investigados tenham sido comprovados.
As apurações continuam em andamento e deverão analisar documentos, movimentações financeiras e eventuais conexões entre os recursos destinados à produção do filme e outras operações investigadas no caso Banco Master.
A investigação ocorre em meio ao período eleitoral, já que Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República.
Redação: Vale FM









