Decisão depende do avanço das negociações sobre Pix, etanol e outras questões comerciais entre os dois países
O governo dos Estados Unidos encerra nesta quarta-feira (15) o prazo para decidir se aplicará uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida está sendo analisada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
A investigação dos Estados Unidos aponta questionamentos em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, tarifas consideradas preferenciais e desmatamento ilegal. Entre os pontos citados pelo governo norte-americano está o Pix, que passou a ser incluído no debate comercial entre os dois países.
O Brasil contesta as acusações e afirma que a adoção da tarifa poderia prejudicar empresas dos dois países. Em documento enviado aos Estados Unidos, o governo brasileiro argumentou que a medida aumentaria custos para consumidores e empresas norte-americanas e defendeu a continuidade das negociações.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro apresentou respostas aos pontos levantados pelo USTR e avaliou que o diálogo é o caminho para tratar das divergências comerciais.
Um dos principais impasses envolve o setor de biocombustíveis. Os Estados Unidos defendem mudanças para facilitar a entrada do etanol produzido no país no mercado brasileiro. Já o Brasil argumenta que qualquer alteração nessa área deve considerar também as dificuldades enfrentadas pelo açúcar brasileiro para acessar o mercado norte-americano.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o etanol tem importância estratégica para o Brasil, especialmente para regiões produtoras, e destacou que o país busca tratar os dois temas dentro de uma mesma negociação.
A possível tarifa também envolve uma disputa mais ampla sobre a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano afirma que busca corrigir práticas que considera prejudiciais aos seus interesses comerciais, enquanto o Brasil sustenta que suas políticas não representam barreiras injustificadas.
Caso não haja entendimento até o fim do prazo, o USTR poderá anunciar a aplicação da sobretaxa para determinados produtos brasileiros. Alguns setores, como carne bovina, café, terras raras, metais e peças de aeronaves, foram citados como itens que podem ter tratamento diferenciado na medida proposta.
Redação: Vale FM








