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07/07/2026 15:26

O flagra ocorreu no Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha

Imagens obtidas durante uma investigação do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) revelaram o momento em que uma advogada é flagrada retirando bilhetes escondidos nas roupas durante visitas a um detento no Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha. As gravações fazem parte da investigação da Operação Sintonia de Gravata, deflagrada na última sexta-feira (3), que apura a atuação de advogados suspeitos de servir como intermediários entre líderes de facções criminosas presos e integrantes das organizações em liberdade.

Segundo as investigações, as imagens foram registradas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, com autorização judicial, no parlatório da unidade prisional. Em um dos vídeos, a advogada Fernanda Oliveira Borges aparece retirando papéis escondidos sob as roupas após conversar com um dos internos. Conforme o MP-BA, os bilhetes continham determinações relacionadas ao tráfico de drogas, movimentação financeira da organização criminosa, cobrança de dívidas mediante ameaça e planejamento de crimes, incluindo homicídios e sequestros.

De acordo com a investigação, a advogada é apontada como uma das responsáveis por transmitir mensagens entre um dos líderes da facção e criminosos que atuavam fora do sistema prisional. O Ministério Público afirma que ela prestava apoio ao detento Marlos Araújo Souza Junior, conhecido pelos apelidos "Bolão", "CRM" e "JR", apontado como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), organização criminosa com atuação na região de Senhor do Bonfim.

As gravações também mostram outros advogados investigados recebendo orientações de presos. Segundo o material reunido pelo MP-BA, os encontros eram utilizados para repassar informações sobre compra e venda de armas, contabilidade do tráfico, distribuição de drogas e ordens para execução de homicídios. Em um dos registros, um advogado faz anotações enquanto um detento utiliza códigos para identificar entorpecentes, como "peixe" para cocaína, "óleo" para crack e "chá" para maconha.

As imagens integram o conjunto de provas que embasou a Operação Sintonia de Gravata. A ação foi realizada em conjunto pelo MP-BA, Polícia Civil, Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap). Ao todo, foram cumpridos mandados de prisão contra advogados investigados por participação no esquema, além de ordens judiciais contra detentos e mandados de busca e apreensão em diferentes cidades baianas.

Segundo os investigadores, os profissionais extrapolavam a atuação jurídica e atuavam como mensageiros das facções, levando e trazendo ordens que permitiam a continuidade das atividades criminosas mesmo com as lideranças encarceradas. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e apurar a extensão da atuação do grupo.

 

Da Redação CSFM







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