Presidente afirma que os Estados Unidos acumulam superávit bilionário na relação comercial com o Brasil e contesta proposta de sobretaxa sobre produtos brasileiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (2) a proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Durante um evento em Goiás, o petista afirmou que, diante dos números da balança comercial entre os dois países, seria o Brasil, e não os norte-americanos, quem teria motivos para aumentar a taxação.
"Quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, não eles", declarou Lula ao comentar a recomendação apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), divulgada nesta semana.
Segundo o presidente, os Estados Unidos acumulam um superávit superior a US$ 415 bilhões nas relações comerciais com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos. Lula afirmou que já havia contestado anteriormente argumentos apresentados por Washington sobre supostos prejuízos comerciais causados pelo mercado brasileiro.
Ao relembrar o chamado "tarifaço" adotado pelos norte-americanos em 2025, o presidente disse que buscou demonstrar, por meio de manifestações públicas e contatos com autoridades americanas, que os dados não sustentavam a alegação de déficit dos EUA na relação bilateral.
A declaração foi feita um dia após o USTR sugerir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras, medida que ainda está em fase de análise e poderá ser discutida entre os dois países antes de uma decisão final.
Durante o discurso, Lula também relacionou a nova tensão comercial às recentes articulações políticas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve nos Estados Unidos na última semana para encontros com autoridades americanas, incluindo o presidente Donald Trump. O parlamentar nega ter solicitado qualquer medida econômica contra o Brasil.
A possibilidade de novas tarifas preocupa setores da economia brasileira, especialmente exportadores, que acompanham as negociações e os possíveis impactos sobre a competitividade dos produtos nacionais no mercado americano.
Da redação: Vale FM








