Planalto manifesta indignação após proposta de taxação de 25% sobre produtos brasileiros e associa medida à atuação da família Bolsonaro nos Estados Unidos
O governo federal divulgou nesta terça-feira (2) uma nota oficial em que manifesta “indignação” diante da recomendação feita pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para a aplicação de tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras.
A proposta norte-americana foi apresentada em um documento divulgado na segunda-feira (1º) e cita temas como o Pix, acordos comerciais, etanol e questões ambientais como justificativas para a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil.
Na nota, o Palácio do Planalto afirma que a medida possui motivação política e relaciona a investigação à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo o governo, o processo teve origem em 2025 após uma provocação feita por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e ganhou força após a recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington, onde se reuniu com o presidente Donald Trump.
O comunicado afirma que essas iniciativas representam tentativas de interferência em assuntos internos do país e critica o que chamou de atuação de “falsos patriotas” que estariam conspirando contra os interesses nacionais.
O governo também lamentou o que considera uma tentativa de enfraquecer os esforços diplomáticos mantidos entre Brasília e Washington. De acordo com a nota, houve diálogo direto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para evitar medidas que afetassem a relação comercial entre os dois países.
Outro ponto destacado pelo Planalto é a inclusão do Pix entre os temas citados pelos Estados Unidos. O governo argumenta que não existe justificativa para medidas contra o sistema brasileiro de pagamentos e ressaltou que os EUA acumulam superávit comercial nas trocas com o Brasil há mais de uma década.
Segundo os dados apresentados pelo governo, os norte-americanos registraram saldo positivo de mais de US$ 424 bilhões em bens e serviços nas relações comerciais com o Brasil entre 2011 e 2025. O texto também aponta que grande parte dos produtos importados dos Estados Unidos entra no país sem cobrança de imposto de importação.
O Planalto afirmou ainda que as tarifas, caso sejam implementadas, podem causar impactos na economia brasileira, afetando empresas, empregos e renda. Apesar disso, o governo disse esperar que a recomendação não se transforme em uma medida definitiva.
Por fim, a administração federal informou que continuará negociando com as autoridades norte-americanas e com o setor privado para tentar evitar a aplicação das tarifas. O governo também declarou que poderá utilizar mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, caso considere que o Brasil esteja sendo alvo de medidas injustas no comércio internacional.
Leia na íntegra a nota
"Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.
Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.
É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.
Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões.
Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%.
O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%.
Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo.
O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.
O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros.
É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro."








