As trezenas de Santo Antônio seguem como uma das manifestações religiosas e culturais mais tradicionais da Bahia. Entre os dias 1º e 13 de junho, famílias abrem as portas de suas casas para receber parentes, vizinhos e amigos em noites marcadas por rezas cantadas, ladainhas, responsórios, cânticos populares e partilha de alimentos típicos. A tradição atravessa gerações e permanece viva tanto em grandes cidades quanto em municípios do interior baiano.
A devoção acontece diante de altares montados dentro das residências, geralmente decorados com flores, fitas, velas e imagens do santo. Durante as celebrações, os participantes entoam orações e cânticos tradicionais que passam de pais para filhos há décadas. Em muitas localidades, após as rezas, os anfitriões oferecem café, bolos, mingau, mungunzá, licores e o tradicional pãozinho de Santo Antônio, símbolo de fartura entre os devotos.
A tradição tem origem em práticas religiosas trazidas pelos portugueses e ganhou características próprias na Bahia, onde a fé se mistura aos costumes populares do ciclo junino. As trezenas são consideradas por pesquisadores e estudiosos como uma importante manifestação do patrimônio cultural imaterial baiano, preservando cantigas, rituais e formas de convivência comunitária transmitidas há gerações.
Em diversas cidades do estado, famílias mantêm o costume há mais de meio século. No sul da Bahia, Canavieiras preserva parte dessa tradição por meio de famílias que mantêm as rezas em suas residências. Um dos exemplos mais conhecidos é a casa de Gutinha, referência para moradores que acompanham anualmente as noites de oração dedicadas ao santo.
A trezena de Santo Antônio ocorre do dia 1º ao dia 13 do mês de junho, com início sempre às 19 horas. A casa de Gutinha fica localizada na rua Verador José Reis, Nº90, bairro Tancredão.
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