Levantamento coloca capital baiana na quarta pior posição do Brasil e destaca impacto da violência, desigualdade e alto custo de vida
Salvador aparece como a quarta capital brasileira com pior qualidade de vida, segundo dados do Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgados nesta quarta-feira (20). A capital baiana ficou atrás apenas de Porto Velho, Macapá e Maceió no ranking nacional.
De acordo com o levantamento, Salvador registrou pontuação de 62,18, abaixo da média nacional, que ficou em 63,40. O pior desempenho da cidade ocorreu no eixo de necessidades humanas básicas, indicador que avalia fatores como acesso à saúde, moradia, segurança, alimentação e saneamento básico.
O estudo utiliza 57 indicadores sociais e econômicos distribuídos em três áreas principais: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. O IPS avalia os 5.570 municípios brasileiros.
Especialistas ouvidos pela imprensa relacionam o resultado ao cenário de violência urbana enfrentado pela capital baiana nos últimos anos. O sociólogo Rosival Carvalho apontou que o crescimento da criminalidade afeta diretamente a rotina da população e altera hábitos em diferentes regiões da cidade.
Outro fator citado é o impacto da insegurança sobre o comércio, o turismo e a circulação de pessoas durante a noite. Para o sociólogo Ailton Ferreira, a ausência de espaços públicos adequados em parte dos bairros também contribui para o agravamento da desigualdade urbana.
Além da violência, o levantamento ocorre em meio ao aumento do custo de vida na capital baiana. Dados do Índice FipeZAP mostram que Salvador liderou a alta no preço médio de imóveis residenciais em 2025. Ao mesmo tempo, números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 42,7% da população da cidade vivia em favelas em 2022, uma das maiores proporções entre as capitais brasileiras.
Outro dado apontado pelo IBGE mostra que Salvador registrou o maior índice de evasão populacional entre capitais brasileiras em 2022, cenário associado ao aumento do custo de vida e às dificuldades econômicas enfrentadas pela população.
O resultado divulgado pelo IPS amplia o debate sobre os desafios estruturais da capital baiana em áreas como segurança pública, mobilidade urbana, moradia e desigualdade social.
Redação: Vale FM








