Levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que a Bahia encerrou 2025 com 926 obras interrompidas
A ausência de visitas oficiais do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), aos municípios de Canavieiras e Una tem sido questionada em meio a demandas de infraestrutura que seguem sem solução nas duas cidades do sul baiano.
Em Canavieiras, uma das principais cobranças envolve a recuperação da rodovia estadual BA-274, conhecida como Transouricana. A estrada é considerada uma das principais ligações entre áreas rurais e a sede do município, além de conectar comunidades e distritos da região. A recuperação da via chegou a ser anunciada pelo governo estadual, mas o andamento da obra permanece limitado e moradores continuam relatando problemas no tráfego em diversos trechos, principalmente após as chuvas que atingiram a Bahia nas últimas duas semanas.
Situação semelhante ocorre no município de Una. Durante as comemorações do centenário de emancipação administrativa da cidade, realizadas em 2024, o governador anunciou publicamente a pavimentação da estrada que liga a sede do município ao distrito da Colônia. O compromisso foi feito em palanque, diante de autoridades políticas e de um grande público presente no evento (relembre), mas a promessa fará dois anos no próximo mês de agosto e a obra do asfaltamento da estrada Una–Colônia ainda não foi executada. A via continua sendo uma importante rota de ligação entre comunidades rurais e áreas produtivas da região, sendo utilizada diariamente por moradores, estudantes e trabalhadores. A situação, inclusive já resultou em duas manifestações de populares que cobraram respostas do governador e empresa licitada, uma em março de 2025 (relembre) e outra em janeiro deste ano (relembre).
A situação local ocorre em um contexto mais amplo de paralisação de obras públicas no estado. Levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que a Bahia encerrou 2025 com 926 obras interrompidas entre as 1.770 registradas no estado, o que representa cerca de 48% do total. Mesmo com aproximadamente R$ 1,5 bilhão já repassados para esses projetos, muitos deles seguem sem conclusão ou com andamento suspenso.
Os dados indicam que as paralisações atingem principalmente setores considerados essenciais para a população. Na educação básica, por exemplo, o estado possui cerca de 412 obras de escolas e creches paradas, mesmo após repasses que ultrapassam R$ 215 milhões. Na área da saúde, aproximadamente 264 construções, entre unidades básicas e hospitais regionais, também permanecem sem conclusão, apesar de recursos já aplicados.
Entre os casos de maior impacto financeiro está a duplicação da BR-116, considerada uma das principais rodovias do país para transporte de cargas. A obra possui investimento previsto de R$ 297 milhões e já recebeu mais de R$ 263 milhões em recursos, mas permanece paralisada sem justificativa detalhada registrada no painel de acompanhamento do TCU.
Especialistas em gestão pública apontam que a paralisação de obras compromete diretamente o desenvolvimento econômico e social. Cada empreendimento interrompido representa atraso em infraestrutura, redução de oportunidades de emprego e impacto no acesso a serviços básicos.
Até o início de 2026, o governo estadual também já teve aprovados mais de R$ 26 bilhões em empréstimos junto a instituições financeiras e organismos nacionais e internacionais. No entanto, mesmo com a ampliação da capacidade de investimento, parte significativa das obras permanece sem conclusão em diferentes regiões do estado.
Projetos considerados estratégicos para o sul da Bahia também enfrentam atrasos, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a FIOL (relembre), e o complexo logístico do Porto Sul, ambos apontados como fundamentais para o escoamento da produção e o desenvolvimento econômico regional.
Diante desse cenário, a população baiana quationa essa ausência do governo estadual nas cidades do interior e cobra a execução das centenas de obras anunciadas e paralisadas. Em municípios como Canavieiras e Una, por exemplo,as demandas por infraestrutura rodoviária continuam entre as principais reivindicações da população, que sofre com estradas e pontes estaduais esburacadas e inacabadas. E isso sem contar nas obras estaduais nas pastas da saúde e educação que também seguem paralisadas ou construídas com materiais de baixa qualidade, como as obra de asfaltamento da BA-001, entre os municípios de Canavieiras e Santa Luzia, que já estão mostrando sinais claros de deterioração.
Da Redação CSFM








