Fila da regulação na Bahia leva pessoas a morrerem esperando!
A crise na regulação de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia vai além do aumento das filas e do tempo de espera. Auditorias oficiais, declarações públicas de autoridades e registros jornalísticos apontam que pacientes morreram enquanto aguardavam liberação de vagas para exames, cirurgias ou transferências hospitalares, evidenciando falhas graves no sistema.
Relatório do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) mostra que a fila da regulação cresceu 213% entre 2019 e 2024, elevando o tempo médio de espera de 1,5 para 4,7 dias. No mesmo período, 14 das 26 especialidades monitoradas tiveram piora no atendimento. Em áreas sensíveis, a espera média chegou a 10,4 dias na cirurgia torácica, 7,8 dias na hematologia e 6,7 dias na oncologia, atrasos que aumentam o risco de agravamento clínico (Veja aqui).
A regulação do SUS na Bahia passou a ser chamada de “fila da morte” pela população e por lideranças políticas devido à espera prolongada em casos de média e alta complexidade. O vice-presidente nacional do União Brasil e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, declarou publicamente que 374 pessoas morreram aguardando atendimento via regulação no atual governo estadual, citando maior concentração de casos em cidades do interior, como Feira de Santana e Ipirá (Veja aqui).
Diante das críticas, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que parte do problema tem origem nos municípios, ao comentar o relatório do TCE-BA. Segundo ele, falhas na atenção básica fazem com que casos simples sejam encaminhados para hospitais de alta complexidade. “Se o município fizer bem feito, muita gente não vai precisar ir para hospital de alta complexidade”, declarou, acrescentando que a regulação depende do funcionamento conjunto de todo o sistema do SUS (Veja aqui).
Apesar da ausência de um banco de dados público consolidado sobre óbitos diretamente ligados à espera na regulação, dados municipais reforçam a gravidade do cenário. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana, entre janeiro e junho de 2023, 131 pessoas morreram aguardando transferência por meio da regulação para hospitais de referência, em meio à alta demanda nas UPAs (Veja aqui).
Dados da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) indicam que a Central Estadual de Regulação (CER) enfrenta demanda elevada. Somente em 2025, mais de 297 mil pacientes foram regulados em todo o estado. Em mutirões, foram registradas 1.133 regulações em um dia e 1.423 transferências em 24 horas, o que demonstra tanto o esforço do governo quanto o volume de casos represados (Veja aqui).
Mesmo com esses números, a Sesab não divulga dados por município sobre pacientes que aguardam regulação nem sobre óbitos durante a espera. Essas informações existem em sistemas internos do SUS, mas não são disponibilizadas publicamente, dificultando a fiscalização.
O TCE-BA aponta como causas da crise a falta de profissionais especializados, falhas nos sistemas eletrônicos, infraestrutura precária das centrais de regulação e desigualdade na oferta de leitos entre as regiões da Bahia. Especialistas avaliam que essas fragilidades tornam a regulação lenta e ineficiente em casos graves.
Enquanto o governo afirma ter ampliado leitos e realizado mutirões, profissionais da saúde alertam que ações pontuais não resolvem o problema. Sem transparência, planejamento e fortalecimento estrutural, a fila deixa de ser apenas um número e passa a representar risco concreto à saúde.
A crise da regulação na Bahia, marcada pela longa espera que a população chama de “fila da morte”, expõe um dos principais gargalos da saúde pública no estado e mantém milhares de famílias apreensivas enquanto aguardam por atendimento.
Redação: Vale FM









