De setembro a abril, várias espécies voltam ao litoral para reproduzir e desovar.
Todos os anos, as tartarugas marinhas se tornam as verdadeiras moradoras das praias do Sul da Bahia: de setembro a abril, várias espécies voltam ao litoral para reproduzir, fazer seus ninhos na areia e deixar ovos que poderão se transformar em novas gerações.
Na região de Belmonte e arredores, esse fenômeno é monitorado há quase duas décadas ao longo de cerca de 35 km de praia. Em uma das últimas temporadas reprodutivas, foram postados 19.892 ovos, dos quais nasceram vivos 14.874 filhotes. No entanto, muitos dos filhotes não sobrevivem até alcançarem o mar ou uma fase juvenil segura — perdas ocorrem por predadores, condições climáticas, iluminação inadequada ou interferência humana.
A preservação desse ciclo é vital. As tartarugas dependem das praias para desovar, e qualquer perturbação — veículos que transitam sobre a areia, uso de luzes fortes, barulho ou retirada de área de nidificação — pode comprometer tanto a postura quanto a capacidade dos filhotes de encontrarem o mar depois.
Por isso, não é permitido trafegar com veículos motorizados sobre as praias de desova. Existe legislação federal e normas ambientais que regulam este tipo de ato: a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998), por exemplo, prevê sanções para quem perturbar a fauna ou destruir habitat natural. Também há portarias do Ibama que proíbem trânsito de veículos motorizados nas praias entre a linha de maior baixa-mar até 50 metros acima da linha de preamar, e regulam iluminação artificial em áreas de desova. Quem desrespeita essas normas pode ser multado ou responder administrativa e criminalmente, dependendo da gravidade da infração.
O primeiro ninho da nova temporada já foi identificado, e a temporada reprodutiva vai de setembro a abril. Durante esses meses, é essencial que moradores, turistas e administradores públicos respeitem as praias como espaço de vida: evitar veículos (inclusive quadriciclos e motocicletas), respeitar sinalizações, não usar luzes artificiais fortes ou fogueiras próximas aos ninhos, manter distância mínima de desovas e colaborar para que o máximo possível de filhotes alcance o mar.
Só assim poderemos garantir que das dezenas de milhares de ovos depositados, muitos filhotes sobrevivam — fortaleçam as populações, e as praias continuem sendo palco desse ciclo extraordinário de vida marinha.
Da Redação CSFM









