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1 24/06/2024 14:57

Adeptos justificam 'brincadeira' como tradição desde a década de 30

A tradicional "Guerra de Espadas" durante as festas juninas divide opiniões na Bahia. Durante as noites de junho e início de julho, ruas se transformam em "campos de batalha" onde espadeiros acendem fogos de artifício e simulam combates.

A "Guerra" acontece tradicionalmente durante as festas juninas, com um artefato que é uma variação mais potente dos tradicionais buscapés, feitos de bambu, pólvora e limalha de ferro.
Desde 2017, fabricar, possuir e soltar as espadas é crime com pena que pode chegar até seis anos de prisão. No entanto, alguns adeptos da guerra e moradores são contra a suspensão da atividade.

O Corpo de Bombeiros também alerta para o perigo da produção das espadas, que é artesanal e feita muitas vezes em locais improvisados como barracões e depósitos.

A Associação Cultural de Espadeiros de Senhor do Bonfim, cidade do norte da Bahia, estima que cerca de sete mil pessoas participem da guerra de espadas todos os anos na cidade.
Na década de 40, o festejo era familiar e doméstico, já nas de 60 e 70, passou a fascinar o público pela qualidade das espadas. Nos anos 80, a prática se tornou um "espetáculo" exibido para um público mais amplo.

A instituição luta para manter viva a tradição que começou ainda na década de 30. A Guerra de Espadas é tida como cultura muito forte nas cidades de Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Sapeaçu, Muritiba, Cachoeira, Nazaré, Muniz Ferreira, São Felipe, São Félix, Castro Alves, Campo Formoso.

Em Salvador, guerras de espadas são registradas tradicionalmente no subúrbio de Salvador, na véspera de São Pedro, no dia 28 de junho.

No bairro de Periperi, principalmente durante a noite, espadeiros de diversas partes da cidade se reúnem para a "brincadeira", e adeptos da guerra se agrupam em diversas ruas para assistir, mas por causa da proibição, policiais militares atuam para dispersar as pessoas e prender os espadeiros.


Guerra de Espadas. Foto: Reprodução/TV Bahia

Alguns participantes usam roupas jeans, capacetes, luvas e óculos, para se previnir de queimaduras mais graves. Já os moradores do entorno precisam colocam papelões e tapumes nos portões para evitar que os artefatos entrem nos imóveis e causem danos à moradores e móveis, ou provoquem manchas nas paredes.

No ano de 2003 foi instituído o Estatuto do Desarmamento. Com isso, a proibição da guerra de espadas se baseou no Artigo 16, que trata da posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Desde então, o Ministério Público acompanha a situação da guerra de espadas.

- A partir de 2015, o órgão estadual expediu recomendações com restrições sobre as espadas.
- A proibição da tradicional "guerra de espadas" foi determinada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em 2017.
- Já em 2018, o Ministério Público Estadual da Bahia (MP-BA) recomendou ao município de Senhor do Bonfim, que não promovesse ou cooperasse com a soltura da guerra de espadas, prática onde fogos de artifício, semelhantes a pequenos foguetes, são utilizados como espadas.
 

E como cuidar das queimaduras?
 
- Procurar uma das unidades de saúde especializadas em queimados ou que tenham leitos para pessoas que se feriram com fogos: Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus, no Hospital do Oeste, em Barreiras, e no Hospital Regional de Juazeiro.
- É indicado esfriar o local ferido com água corrente por vários minutos.
- Evitar tocar na queimadura, aplicar gelo, furar bolhas e descolar tecidos grudados.

 

Fonte: G1 Bahia







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